Ele criou o Cidade Jardim

By GUSTAVO POLONI

José Auriemo Neto gosta de vasculhar a cidade de helicóptero, em busca de novos negócios. Foi assim que encontrou o terreno onde está o shopping
Os próximos meses prometem ser movimentados para José Auriemo Neto, presidente da incorporadora JHSF. Seu escritório vai mudar do luxuoso Edifício Platinum, na Rua Amauri, no Itaim, para uma sala improvisada no Shopping Cidade Jardim, inaugurado no mês passado na Marginal do Pinheiros. Em outubro, sua mulher, Mariana, uma administradora de empresas que não exerce mais a profissão e com quem está casado há cinco anos, dará à luz o terceiro filho do casal. Mais alguns meses e os cinco integrantes da família Auriemo Neto vão se mudar de uma confortável casa no Jardim América para um apartamento de 770 metros quadrados no Edifício Tuias, um dos nove prédios que estão sendo construídos sobre o shopping e que começarão a ser inaugurados em fases a partir do segundo semestre. “Isso se eu não vender o meu apartamento antes”, diz Zeco, apelido pelo qual Auriemo Neto é conhecido, referindo-se à valorização do imóvel nos últimos tempos.
A rotina de Zeco vem se tornando mais agitada desde 2006, quando a JHSF anunciou o lançamento do Parque Cidade Jardim. O empreendimento reúne, numa área de 72 mil metros quadrados, um shopping center, nove prédios residenciais e três torres comerciais, que incluem um Hotel Fasano. O projeto está avaliado em 1,8 bilhão de reais e é considerado o maior em andamento na América Latina. Quando estiver totalmente pronto, vai permitir que os condôminos morem, trabalhem, façam compras e se divirtam sem precisar entrar no carro. Os paulistanos parecem ter gostado do conceito “três em um”. Em maio, quase 80% das 322 unidades de alto padrão já haviam sido vendidas. Os apartamentos mais em conta, de 240 metros quadrados, custam 2 milhões de reais. O maior, uma cobertura tríplex de 1,8 mil metros quadrados, foi arrematado por 18 milhões de reais. O comprador? Um integrante da família Ermírio de Moraes. Não será o único ilustre do local. Nos elevadores, será possível cruzar com os pais do ex-piloto Ayrton Senna e com o sócio do publicitário Nizan Guanaes, Guga Valente. O metro quadrado dos prédios já é considerado um dos mais caros da cidade, avaliado em 10 mil reais.
Dois anos depois do lançamento, a primeira etapa do Parque Cidade Jardim acaba de sair do papel. Após alguns atrasos, o shopping de 48 mil metros quadrados foi inaugurado no final de maio, com direito a anúncio estrelado pela atriz americana Sarah Jessica Parker, de Sex and the City. À boca pequena, dizem que seu cachê para desfilar com sacolas carregadas e dizer o nome do shopping num sotaque enrolado foi de 600 mil dólares. Apesar do preço salgado, a escolha da garota-propaganda não poderia ter sido melhor. No filme, sua personagem, Carrie, não economiza na hora de comprar roupas de marcas chiques e caríssimas. Pois é essa a vocação do Shopping Cidade Jardim: transformar-se no novo templo de luxo da capital, um mercado que movimenta 4 bilhões de dólares ao ano. Das 180 lojas, muitas carregam a marca de grifes internacionais. Entre as nacionais, destaque para a Daslu, que abriu sua primeira filial num shopping.
É verdade que nem só de lojas de luxo vive o mais novo shopping de São Paulo. Ele tem uma filial da Casa do Saber (instalada dentro da Livraria da Vila), que oferece cursos, palestras e oficinas de filosofia, história e arte para bacanas e socialites. O endereço ganhou também uma filial da academia de ginástica Reebok. No terceiro andar, numa espécie de varanda ao ar livre, os visitantes podem se deliciar em docerias, cafés e restaurantes (entre eles, o Nonno Ruggero, do grupo Fasano) com privilegiada vista para a Marginal do Pinheiros. Não faltam motivos para conhecer o Shopping Cidade Jardim. Quem visitá-lo vai perceber logo de cara uma novidade no projeto arquitetônico: um jardim ao ar livre em meio aos corredores. “Ar-condicionado, só dentro das lojas”, diz Zeco. A opção é resultado de uma pesquisa realizada pela JHSF, que descobriu que o paulistano sente falta do contato com a natureza.