Mercado de moda brasileiro precisa se reinventar?

lino

Por Luz Vaalor

 

Apesar do aumento da inflação e desaceleração do crescimento da economia, ninguém duvida do potencial do mercado Brasileiro de Moda. Afinal o Brasil ainda é a sexta maior economia do mundo, um país cheio de oportunidades e muitos desafios. Quando se trata de moda, varejistas e consumidores internacionais permanecem entusiasmados com as etiquetas de moda brasileiras.

Prova disto é o mais recente evento promovido pela venerável loja de departamentos parisiense Le Bon Marché, apresentando aos franceses mais de 120 marcas brasileiras.  No entanto, segundo o “BoF” The Business of Fashion constatou que o mercado brasileiro de moda está enfrentando uma espécie de crise de identidade. Os últimos eventos como o São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, apresentaram coleções de mais de 50 marcas, no entanto entre eles havia poucos shows direcionais de moda. Na verdade, muitos designers brasileiros com visão de futuro desapareceram nas passarelas locais. Estilistas como Pedro Lourenço e Lucas Nascimento há muito tempo lançam suas coleções em Paris e Londres, respectivamente, enquanto os nomes mais consagrados, como Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho decidiram não se fazer presentes nesta temporada.

Enquanto isso, nas semanas de moda do Brasil  quem tem participado dos desfiles são marcas high-end como Colcci, Triton e Cavalera e grandes grupos de moda como a AMC Textil, TNG e Inbrands. Segundo o jornal os desfiles apresentam um espetáculo banal e tudo já foi visto antes em pistas européias.

João Paulo Nunes, fundador e editor do The Style Examiner, e correspondente do The Huffington Post, disse ao BoF: “O fato de você ter uma produção mais de massa, etiquetas de rua nas semanas de moda do Brasil não é necessariamente uma coisa ruim. Precisamos entender que a definição de moda está se tornando muito mais democrática. Mas isso coloca pressão sobre os estilistas e criadores é algo que temos de olhar e encontrar maneiras de apoiá-los. “

Paulo Borges, fundador e CEO dos megas eventos São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, em entrevista ao BoF foi enfático em seu comentário sobre o mercado atual e futuro:” O mercado está passando por mudanças. Algumas [empresas] vão crescer e alguns vão desaparecer. Agora há algo que eu chamo uma névoa no negócio da moda no Brasil, onde não podemos ver além dela e prever exatamente o que vai acontecer”.

A verdade seja dita, o consumidor brasileiro está sedento por moda. Nas classes mais abastadas cada vez mais marcas internacionais tem sido as preferidas sobre as marcas locais. O consumidor brasileiro quer inovação e quer participar desse boom da moda global. No Brasil a moda tornou-se global e muitas empresas ainda não se deram conta disso. Até 1993 o mercado brasileiro de moda era fechado o que trazia certo conforto para as marcas locais.

Mais recentemente o segmento do Luxo no Brasil vem demonstrado um crescimento contínuo e consistente, o que reflete o processo de amadurecimento do nosso mercado e também do nosso consumidor. Grandes marcas internacionais de luxo vêm acessando o mercado brasileiro o tempo todo, pois contamos com um longo histórico de sucesso em quase todos os segmentos de produtos e serviços, desde a abertura do mercado no Brasil.

O assunto luxo nos últimos anos passou a ser de interesse nacional. Empresários de grandes, médias e pequenas empresas, profissionais de moda, comunicação, marketing, vendas e, principalmente, os consumidores estão interessados nos novos conceitos do mercado de luxo, como também nos diferenciais competitivos que esse mercado pode agregar aos seus próprios negócios, carreiras e suas vidas.

Este recente fenômeno mercadológico está desenvolvendo junto ao mercado consumidor novos parâmetros de qualidade e inovação, o que eleva constantemente os padrões de exigência dos clientes por produtos e serviços  altamente inovadores. Essa nova perspectiva é um fator de constante ameaça aos negócios e marcas aqui estabelecidas, exigindo das mesmas um aperfeiçoamento constante dos produtos e serviços para atender a essa demanda. Não é fácil concorrer com marcas globalizadas, e altamente preparadas pela experiência de estarem presentes em mercados mais desenvolvidos como o europeu e o americano.

O governo brasileiro tem programas voltados para o incentivo de designers locais durante os eventos de moda no país, mas uma coisa é certa, não está sendo feito o suficiente. A forma dos negócios de moda no Brasil mudou e se diversificou, e temos grandes desafios para reestabelecer nossa imagem voltada para fora mas também, especialmente focada em nosso consumidor brasileiro.

Enquanto isso o mercado continua abrindo espaço para grupos internacionais, muitos deles comercialmente agressivos a se instalarem no país. A rede TopShop e a Yishion considerada a Zara chinesa, que promete revolucionar o mercado de moda do país.