Grifes de moda estrangeiras se interessam pelo mercado brasileiro

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O Brasil acaba de ver a chegada de grifes internacionais como Gap, Desigual e Guess e a perspectiva para este ano é de que esse movimento se repita. Devido a demanda ainda ser alta, marcas como H&M, Uniqlo, Abercrombie &Fitch, Banana Republic e Old Navy parecem também sinalizar interesse no varejo brasileiro, mesmo com altos custos tributários que envolvem as operações.

Segundo o sócio sênior da GS&MD – Gouvêa de Souza, Alberto Serrentino, não é possível prever quantas novas redes podem vir ao País, mas rumores de mercado mencionam nomes como a H&M, por exemplo. “É difícil prever novos operadores, mas já houve rumores e manifestações públicas de interesse, a médio e longo prazo, por parte da H&M, Uniqlo, Abercrombie &Fitch, além de outras marcas operadas pelo grupo Inditex (que no Brasil atuam com a marca Zara)”, disse.

Ainda segundo o especialista da GS&MD, é necessário se atentar aos mínimos detalhes para que a operação dê resultados em um mercado de alta tributação e complexidade. “O sucesso depende da capacidade de interpretar e decifrar o consumidor brasileiro, ajustar o timing e sazonalidade das coleções entender as diferenças regionais de clima e estilos de vida, definir corretamente posicionamento, perfil de localização, precificação, gestão de mix e ciclos de vida de produtos e conhecer as peculiaridades do complexo sistema tributário e estrutura de custos existente no Brasil”, explicou.

O mais recente dos cases é o da grife norte-americana Guess, que retorna ao Brasil pelas mãos dos herdeiros da Cia Hering – Thomaz, André e Thiago Hering. A marca chegou a ter três operações, sendo uma delas na renomada Oscar Freire, mas, em 2009, fechou todos os pontos de venda. Na nova empreitada, a marca conta com uma loja aberta ao público desde o dia cinco de dezembro último, no Shopping Cidade Jardim, além de outra no Center Norte. A empresa, procurada pelo DCI, não respondeu à solicitação até o fechamento desta edição.

Em novembro foi a vez da espanhola Desigual, conhecida por promoções nada convencionais, chegar ao Brasil. A primeira loja do grupo foi aberta no Shopping Pátio Higienópolis e a perspectiva da rede de fast fashion é de 50 novas unidades nos próximos três anos, sendo estas próprias e franquias. Por meio de nota, a empresa informou que o Brasil faz parte do processo de expansão no mercado latino-americano iniciado há três anos. Além do Brasil, México, Colômbia, Panamá, Venezuela, Chile, Uruguai, Peru, Equador e República Dominicana são os países onde, hoje, a Desigual conta com mais de 32 quiosques em lojas de departamentos, 13 franquias, sete pontos de venda em portos e aeroportos internacionais e mais de 180 clientes multimarca. No Brasil, a empresa abrirá a segunda loja na cidade do Rio de Janeiro durante o primeiro trimestre do ano.

A também norte-americana Gap inaugurou sua primeira unidade em setembro no JK Iguatemi, em São Paulo, por meio da Blue Bird- detentora da GEP que controla as marcas Luigi Bertolli, Cori e Emme. Pouco tempo depois, em novembro, foi a vez do shopping Morumbi receber a grife. A perspectiva da marca, segundo o vice-presidente sênior da Gap, Stefan Laban, é ter quatro unidades em operação até 2014. “Além da unidade do JK Iguatemi, teremos uma no Shopping Morumbi, também em São Paulo, e mais duas a serem inauguradas neste ano no Rio de Janeiro e em Porto Alegre”, disse. As duas operações previstas para este ano serão inauguradas no Barra Sul, de Porto Alegre, e no Barra Shopping, no Rio de Janeiro.

Não está descartada a possibilidade que outras marcas que pertencem à Gap Inc. – Banana Republic, Old Navy, Piperlime, Athleta e Intermix – possam vir ao País. “Antes de tomarmos qualquer decisão, vamos ver como será o comportamento do consumidor”, argumentou Laban. Uma operação virtual está sendo estudada entre a Gap e a Blue Bird. “Estamos conversando sobre isso ainda”, concluiu o vice-presidente sênior da grife norte-americana anteriormente ao DCI.

Quem também anunciou recentemente a chegada ao mercado nacional foi a rede de moda rápida (fast fashion) Forever 21. Até o momento, a grife admite que terá duas operações, sendo uma no Shopping Morumbi, em São Paulo, e outra no Barra Shopping, no Rio. A operação do Morumbi tem previsão de ser aberta ao público em fevereiro, segundo informou a assessoria do shopping.

Há pouco mais de oito meses, a marca italiana de loungewearIntimissimi desembarcou no País, com operação similar à da Hope e a da Scala, por exemplo. Atualmente, a operação conta com mais de 20 lojas espalhadas nos principais shoppings brasileiros e a perspectiva é ampliar esse número ao longo deste ano.

Quem fez sua estreia no País, junto à abertura do JK Iguatemi, em São Paulo, foi a britânica TopShop. Em abril de 2013, o Shopping Iguatemi recebeu a segunda operação da marca de fast fashion. Na opinião do diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) José Luiz da Cunha, a vinda dos players internacionais para o mercado de moda brasileiro mostra a maturidade do segmento. “A entidade vê este processo com bons olhos, pois demonstra o nível de maturidade que o mercado brasileiro da moda e os consumidores têm demonstrado em nosso país. Está claro que, aliado a isso, temos um potencial de consumo atraente e as marcas, apesar de um ambiente custoso e burocrático, não querem deixar a oportunidade passar”, afirmou.

Para Cunha, o custo operacional do Brasil não impede esses investimentos, pois há potencial de consumo. “Está claro que, aliado a isso, temos um potencial de consumo atraente e as marcas, apesar de um ambiente custoso e burocrático, não querem deixar a oportunidade passar.” A única ressalva feita pelo especialista no setor é que essas redes devem ficar a atentas a regionalidade e ao clima diferente que temos no País. “Elas devem entender que as estações são diferentes que na Europa e nos Estados Unidos e como o Brasil é muito grande e tem culturas diferentes, existe a necessidade de adequação de mix de produtos”, concluiu.

Fonte: DCI