“True Luxury” @ Porto Luxury Brands Summit

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Por Carolina Vinhas Santos

Dia 8 de maio de 2015, a cidade portuguesa conhecida pelo seu famoso vinho transportado em charmosos barcos rabelos. O Porto sediou o primeiro encontro internacional de marcas de luxo – Porto Luxury Brands Summit promovido pela FFI. A equipe do Luxury Lab esteve lá para conferir e contar para vocês em primeira mão e com acesso privilegiado a informações sobre o momento atual e as tendências desse mercado, na ótica do “True Luxury”.

Assim o seminário destacou o verdadeiro luxo, na perspetiva da inovação, da qualidade no saber fazer, da exclusividade e personalização que é oferecida ao mercado pelas marcas, não esquecendo de aliar isso à defesa dos seus valores de sustentabilidade socio ambiental.

Entre os oradores estiveram Dominique Jacomet, Presidente do IFM (Instituto Francês de Moda) e Armando Branchini, Secretário-geral da Fundação Altagamma, entidade que representa empresas de Luxo italianas, e Presidente da ECCIA (European Cultural and Creative Industries Alliance), que integra as associações europeias de marcas de Luxo. Além de algumas das marcas portuguesas mais prestigiadas a nível nacional e internacional como a Munna e Ginger & Jagger (mobiliário), a Graham’s (vinho do Porto), a Farfetch (e-commerce de moda), a Pine Cliffs Resort (turismo), a Butch Design (Design e construção de super-iates), a Charbonnel et Walker (produção e venda de chocolates artesanais) e a Professora Silvia Ortega do ISEM – Fashion Business School (Madrid), especialista na área de marketing experiencial e sensorial.

Em exclusivo tivemos o privilégio de conversar sobre o Brasil e a temática em voga deste evento, com alguns dos palestrantes e chegar até aos responsáveis pelo mercado brasileiro.

“ Luxo no Brasil inclinação da tendência será para produtos ou serviços? Com o crescimento da classe A no país tem havido muito consumo de produtos de luxo, contudo muitas das vezes por moda do produto, temos o exemplo de quando no ano passado o Chryseia 2011 ganhou o premio de 3º melhor vinho do mundo na Wine Spectator nesse mês a procura disparou. Contudo para nós o Brasil ainda não consume os nossos produtos de luxo devido a falta de conhecimento do consumidor da qualidade do produto. Apesar de o brasileiro também consumir alguns serviços de luxo, é nos produtos que a procura é maior.

Quais os principais desafios para o marketing deste setor, na realidade brasileira? Na perspetiva da Symington, ainda há um trabalho conjunto a ser feito, primeiro por Portugal, e posteriormente pela região do Douro em concreto. É muito difícil uma marca portuguesa, sozinha lutar contra grandes marcas chilenas e argentinas que já se encontram estabelecidas no Brasil. Apesar de termos uma pessoa 100% dedicada e presente no mercado, a forte concorrência e a dificuldade de penetração, no sentido de descortinar permanecem como os dois maiores obstáculos a transpor.

Quais as “lições” que o Brasil poderia retirar dos países, ditos ”embaixadores” do Luxo? Na ótica de “wine&spirits”, acho que ainda se encontram muito presos ao que é “conhecido”… Como exemplo temos o Moet  e outras marcas internacionais que se estabeleceram dado o seu brand awareness. Outras, apesar da enorme qualidade têm a porta quase fechada, e os esforços para se tornarem relevantes naquele mercado são elevadíssimos. O país tem recursos e mão-de obra para se tornar num dos países “embaixadores” do Luxo. O exemplo da hotelaria é dos mais evidentes em que este da qualidade do serviço oferecido ao cliente, e há sem dúvida um enorme público predisposto a gastar dinheiro, no intuito de usufruir de uma estadia de luxo. Contudo, na minha opinião o Brasil poderia tirar mais partido das qualidades.”- segundo o responsável de mercado do Brasil da Symington.

“ Brasil enquanto Hub de luxo: O Brasil, gasta em média de 20 mil euros em produtos de luxo por ano, conforme a matéria no jornal Valor Económico – Multiplicação de perfis, O “absolute luxurie“, por exemplo, é aquele que cresceu tão submerso no mundo da exclusividade que luxo é uma em sua vida. Cerca de 2,2 milhões de indivíduos entre 35 e 45 anos fariam parte deste perfil, concentrados na elite europeia. O Brasil teria 9% de seus consumidores nesta classificação. Cada um deles gasta 30 mil euros em luxo por ano. O Luxo no Brasil a inclinação da tendência será para produtos ou serviços? O Brasileiro busca pelo luxo em todos os serviços, aliás o serviço ainda é muito importante para qualquer tipo de experiência junto às marcas, através das quais buscam serviço qualificado desde a ida ao restaurante, lavar o carro, em destinos de férias investem em artigos de luxo; roupas e acessórios, o luxo para o brasileiro é ‘ um veículo para um mundo melhor’.

Quais os principais desafios para o marketing deste sector, na realidade brasileira? A comunicação deve estar alinhada a todas as expectativas, a legitimidade de uma marca é importante para ter sucesso. As pessoas estão em busca de qualidade e conforto e por isso procuram nos serviços e produtos de luxo. Assim querem saber a origem da matéria-prima e a manipulação da mesma, dessa forma se reconhecem e se identificam, de acordo com o seu lifestyle.

Quais as “lições” que o Brasil poderia retirar dos países, ditos embaixadores do Luxo? Por ser um mercado jovem e em desenvolvimento, as marcas brasileiras precisam encontrar e exprimir o DNA Brasil com legitimidade e total excelência no desenvolvimento de produtos. Não esquecendo que precisamos contar a história de procedência, imprimindo o genius loci Brasil e desde o desenvolvimento do produto até a entrega deste ao consumidor.”- na perspetiva da equipe Farfecth Brasil”

Agradecimentos à colaboração da FFI, Farfetch e Symington foi um prazer e com certeza aprendemos e fomos além ao mergulhar nesta sessão de conhecimento.

Mais informações do evento em : www.ffi.pt – Fast Forward Innovation, Lda

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